| Junta de Freguesia - História da Terra |
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Freguesia de Mafra

É a sede de um concelho composto por dezassete freguesias. Dá o nome a uma região famosa pelo seu convento e por outras circunstâncias que fazem de Mafra uma das mais conhecidas povoações do País.
Além do faustoso convento, aqui se encontra também o célebre quartel do exército, onde anualmente milhares de jovens recrutas cumprem o serviço militar obrigatório. E por todo o País se escuta todos os dias o sacramental diálogo. "Para onde vais? Vou para Mafra".
É, pois, para a vila de Mafra que por agora nos deslocamos, na certeza de uma visita bem passada na companhia de alguns dos autores que celebrizaram a Mahafara do sarraceno e a Mafara do terceiro rei de nome Afonso.
Com uma área de quase cinco mil hectares, a freguesia de Mafra encontra-se a quarenta e três quilómetros, para noroeste, da cidade de Lisboa, no extremo ocidental do concelho e no seu limite com o concelho de Sintra.
Apesar do constante progresso, que tem alterado de forma significativa a sua freguesia, a freguesia de Santo André de Mafra pode ser dividida de forma clara em duas partes distintas. Estas partes decorrem da sua história: a "Mafra velha", numa cova, junto às muralhas do antigo castelo e à igreja de Santo André; a "Mafra nova", que se desenvolveu a partir do século XVIII em redor do convento.
O povoamento da freguesia inicia-se em épocas pré-históricas, mas as notícias escritas iniciam-se apenas no século XII. Assim, sabemos que D. Afonso Henriques conquistou Mafra aos mouros em 1146, e que a então vila se manteve na posse da coroa portuguesa até 1193.
Nesse ano, D. Sancho I faz dela doação à freiria de Évora, de que era mestre Gonçalo Viegas. Com D. Dinis, a vila volta a ser doada, pois entretanto voltara às mãos da coroa. Fica então na posse de João Fernandes Lima, o Batissela, juntamente com o padroado da igreja e todos os direitos correspondentes.
Até à construção do convento, cuja inauguração ocorreu em 1730, Mafra não passava de um pequeno povoado, com algumas centenas de casas agrupadas em redor do antigo castelo, e pouco mais. Tinha um largo, duas ruas e uma igreja, a de Santo André.
Com a construção do convento, Mafra começou a desenvolver-se de forma extraordinária e a multiplicar várias vezes o seu perímetro. Um projecto antigo, que já estava pensado um século antes, mas que se via sucessivamente adiado.
Em 1705, o 12.º Visconde de Vila Nova de Cerveira avançou então com um novo projecto, a construção de uma casa para dez ou doze frades, novamente sem grandes resultados. A decisão definitiva de avançar, tomou-a D. João V em 1711. Dois anos depois, todos os terrenos necessários já estavam expropriados e o trabalho atribuído, depois de concurso público, ao arquitecto João Frederico Ludovici.
Refere José Saramago, em "Viagem a Portugal", relativamente ao magnificente monumento: "O convento de Mafra é grande. Grande é o convento de Mafra. De Mafra é grande o convento. São três maneiras de dizer, podiam ser algumas mais, e todas se podem resumir desta maneira simples: o convento de Mafra é grande.
Parece o viajante que está brincando, porém o que ele não sabe é pegar nesta fachada de mais de duzentos metros de comprimento, nesta área ocupada de quarenta mil metros quadrados, nestas quatro mil e quinhentas portas e janelas, nestas oitocentas e oitenta salas, nestas torres com sessenta e dois metros de altura, nestes torreões, nestes zimbórios.
O viajante procura ansiosamente um guia. A ele se entrega como náufrago prestes a ir a pique. (...) As palavras do guia zombem como vespas. Agora já saíram da igreja, sobem escadarias intérminas, e ao acaso das lembranças foram olhando o quarto de D. Maria I, em estilo Império rico, a sala dos troféus de caça, a sala de audiência, a enfermaria dos frades, a cozinha, a sala isto, a sala aquilo, a sala, a sala. E aqui é a biblioteca: oitenta e três metros de comprimento, livros que desta entrada mal se distinguem, muito menos tocar-lhes, saber que histórias contam."
Um livro não seria suficiente para descrever todas as belezas do convento de Mafra. Mas como o principal já está dito – Saramago fez-nos esse favor – resta continuar a viagem, com pontos cirurgicamente escolhidos, e chegar à igreja matriz, dedicada a Santo André.
Construída na transição do século XIII para o século XIV, é do período gótico primitivo, mas com muitas ligações ao estilo românico. Aqui se encontra sepultado D. Diogo de Sousa, senhor de Mafra e neto do rei D. Dinis, falecido em 1344.
Ainda uma breve palavra, porque o espaço não permite mais, para a Tapada Real. Um espaço de vinte quilómetros, de verdura extasiante e intenso e constante convite à visita. Foi um antigo couto de caça e "notável refúgio natural de árvores, linhas de água e veados".
População: 9773
Actividades económicas: Agricultura, cerâmica, serviços, serralharia civil, artes gráficas, comércio e panificação
Festas e Romarias: Nossa Senhora da Paz (1.ª semana de Julho), S. João de Deus (última semana de Julho e 1.ª semana de Agosto), Nossa Senhora da Saúde, S. Sebastião (última semana de Agosto) e Senhora do Arquitecto (última semana de Maio)
Património: Convento de Mafra, Igreja de Santo André, pelourinho, aldeia típica de Mestre José Franco
Outros Locais: Tapada Real e jardim do Cerco
Gastronomia: Fradinhos, sinos, pinguins, doces regionais, bolo-rei, bolos saloios, carne de porco Mercês e pão de Mafra
Artesanato: Cerâmica e olaria
Colectividades: Clube Desp. de Mafra, Mafra Recreio Clube, Amigos do Atletismo, Casa do Povo de Mafra, de Gonçalvinhense, de Murgeira e de Barreiralva, Assoc. Desp. Recreativa da Achada, Liga dos Amigos de Sobreiro, Liga dos Amigos de Mafra, Grupo Coral de Mafra, Escola de Música Juventude de Mafra, Rancho Cantarinhas de Bruno Sobreiro Melo, Bombeiros Voluntários de Mafra, Assoc. de Agricultores do Concelho de Mafra e Clube de Caçadores
Orago: Santo André
Feiras: Mensal (3.º domingo de cada mês) , anual (30 de Novembro e 3.º domingo de Julho)
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